Sexta-feira, Novembro 06, 2009

Concurso: adivinhe qual é o único que não vale a pena?

(charge de autoria do autor do blog que é autor dessas mal digitadas linhas. Péssimos trabalhos de autoria!)

Navegando pela internet entre twitter, blogs, portais de notícias e sites educativos como o x-tube, resolvi dar uma olhadinha na minha caixa postal para ver se aquela gatinha do msn se lembrou de mim e enviou alguma mensagem cheia de amor, afeto e spam erótico. Numa dessas eu poderia até ganhar uma indenização, quem sabe, não é? Ah, sim, eu falava sobre minha caixa postal. Continuemos.

Recebi uma newsletter sobre concursos públicos, pois estou atento e propenso a mudar de profissão já que na mega-sena não tem jeito, eu não acerto sequer 2 míseros números. O jeito, então, é estudar um bocado e concorrer com milhares de candidatos que também buscam a estabilidade de um emprego público ( todo mundo reclama do serviço público, mas todos querem essa boquinha!).

E tem muito concurso bom! Tem, por exemplo, o concurso do Ministério Público do Trabalho, para todos os estados do país, que oferece R$ 21 mil de salário! Com uma grana dessas, eu trabalharia até no Pará, a terra sem lei! Pena que é só para aqueles que possuem curso de Direito, e na minha época de faculdade eu fui de esquerda, desses que usavam até camiseta do Che Guevara. É, eu sei, mas eu tinha 18 anos, pô!

Mas há outros concursos. Tem o concurso da ABDI, Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial, da qual eu nunca ouvi falar e, provavelmente, nem você. Os salários variam entre R$ 4 mil e R$ 9 mil mensais, para trabalhar no Distrito Federal. Seria uma boa, se não fosse somente para “formação de cadastro”. Ou seja, uma espera quase eterna a depender da colocação.

Até aqui na Bahia tem um concurso: para a Empresa Baiana de Água e Saneamento, conhecida como EMBASA (ou ENVASA, porque só envasando a água no balde para que ela chegue até em casa). Salários que variam entre R$ 800 para quem possui nível médio e está disposto a trabalhar na “manutenção” ( no esgoto, inclusive) e R$ 4 mil para quem possui nível superior. Deu sede!

A listinha de concursos é em ordem decrescente. E lá no final vejo o concurso da Secretaria de Educação e Cultura do Piauí, a SEDUC. Por mera curiosidade, resolvo dar uma olhada. É um concurso para preencher cargos de professores e supervisores pedagógicos, e exigindo nível superior. O salário é estupendo: R$ 670,00.

É isso aí: um sujeito com nível médio que vai limpar as latrinas e lidar com o esgoto aqui na Bahia vai ganhar bem mais do que um professor com nível superior no Piauí. Não se trata em desvalorizar o profissional que trabalha no depto. de saneamento - que tem uma função importante, é claro – mas isso demonstra bem o quanto vale um professor no Brasil e porque não adianta o MEC fazer propaganda bonitinha e nem os discursos demagógicos sobre educação que ouvimos por aí de autoridades e “especialistas” que assinam colunas repletas de tolices: se a coisa continuar assim, voltaremos aos tempos do Brasil colonial, onde a educação ficava a cargo dos jesuítas.

Eu gostaria muito que esse concurso não tivesse nenhum inscrito, nenhum profissional ou recém-formado disposto a pagar a inscrição de R$ 60 para preencher essas vagas. É preciso ter alguma dignidade, mesmo diante do desemprego. Porque uma coisa é trabalhar no esgoto limpando a merda da cidade inteira, outra coisa é estar literalmente na merda, abaixo do esgoto, no fundo do poço. Joguem uma corda e resgatem os professores...enquanto eles ainda existirem. Senão ninguém mais passa em concurso nenhum!
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Domingo, Novembro 01, 2009

Tempo, tempo, mano velho!


( sim, fui eu que fiz a charge. Pra visualizar melhor esse desastre rabiscado, clique na imagem)

Um blog vive de atualizações frequentes e este Grooeland tem passado por atualizações apenas esporádicas ultimamente. Meus 2 ou 3 leitores que sobraram perguntam se eu esqueci do blog ou se não estou inspirado para escrever ( como se um dia eu tivesse inspiração para alguma coisa). Há até quem pense que eu esteja fazendo parte de alguma campanha do tipo “por uma internet com menos bobagens” ao não contribuir com esses textos e charges que são verdadeiras bobagens na grande rede.

Mas se preocupem – sim, se preocupem, pois não tenho intenções de matar este blog, não sou roteirista da Marvel ou DC Comics que gosta de matar, aleijar e clonar (para depois matar e aleijar) super-heróis ( é por isso que só compro gibis do Tex e edições históricas do Homem-Aranha). Ah, desculpem pela digressão, prometo que não faço mais.

O fato deste blog não ter passado por atualizações mais recentes é por falta do elemento mais caro que existe hoje na sociedade. Não, espertinho, não estou falando de dinheiro, água ou garotas de programa que durante o dia são dançarinas em programas de auditórios imbecis: estou falando do tempo.

Quantas vezes você falou esta semana “estou sem tempo”? Algumas vezes, não é verdade? Talvez você tenha até se surpreendido ao ver na televisão uma propaganda sobre o Natal. Sim, estamos em Novembro e o Papai Noel já começa a seduzir as pobres almas consumistas que estourarão o cartão de crédito e o 13º salário no final do ano.

O tempo está "correndo" mais rápido? Essa é a impressão que se tem. Na verdade estamos passando por uma espécie de transição para um período que divide até mesmo os sociólogos, filósofos e achólogos (como este que vos escreve) que se debruçam sobre essas questões; você pode escolher: sociedade pós-moderna, sociedade contemporânea, sociedade da informação, enfim, fica a gosto do freguês.

Um blog como este é perda de tempo, porque tem muitas palavras (alguns “blogueiros” desses joguinhos de orkut “comente no blog acima” que o digam), mas o twitter com 140 caracteres(!) é ideal, é rápido, dinâmico e teoricamente não se perde tempo (é o que dizem, ha ha ha); catar o feijão, deixar de molho, preparar o tempero, botar na panela de pressão e esperar uns 40 minutos é algo impensável quando se tem refeições prontas, em pacotinhos que podem ser preparadas em 30 segundos com o forno microondas; um fato que tenha ocorrido há apenas 30 minutos já é considerado “old”.

Reparem como a nossa concepção de tempo está alterada. Um dia com 24 horas ainda é “lamentado” por algumas pessoas – e nessas horas eu recomendo que elas se mudem para o planeta Vênus: lá, um único dia é equivalente a 243 dias terrestres (neste caso eu sou defensor de que o carnaval ocorra no planeta Vênus). Assumimos tantos compromissos e com a velocidade das informações e inovações tecnológicas parece mesmo que um dia é muito pouco para dar conta de tantas coisas. Interessante perceber como as tecnologias mais recentes (sobretudo as TIC - Tecnologias de Informação e Comunicação) vem modificando não apenas valores, comportamentos, mas também a própria distribuição do tempo e o relógio biológico das pessoas.

Organizar o tempo é o grande desafio que o próprio tempo nos oferece e nisso não tem nada de “lição de moral”, até porque eu mesmo preciso me organizar, vide as atualizações no blog. Existe até um movimento chamado "slow movement", que prega a "desaceleração" neste ritmo de vida corrido que levamos em nosso dia a dia. Kafka, que mastigava cada pedaço de comida pelo menos 10 vezes, adoraria a ideia.

Mas pode passar o tempo que for, a sabedoria de minha avó continua super atual: “apressado come cru”. Ou, pior ainda, não come e quando o faz não deixa ninguém satisfeito.

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Se tiver (MUITO) tempo, siga-me no twitter, lá sou forçado a escrever bem menos: http://twitter.com/jaimeguimaraess

Quarta-feira, Outubro 21, 2009

Computador é PHoda!*

A charge bizarra acima é do autor deste blog. Tá esquisita, igual à mente deste que vos escreve.

Seu Noquinha era um senhor de hábitos bem simples. Viúvo e aposentado, não gostava de televisão, ouvia de vez em quando um rádio e conservava no pulso o velho relógio que funcionava muito bem há mais de 20 anos – segundo suas próprias palavras. Nem carro o seu Noquinha possuía: “faz bem caminhar, esses jovens de hoje é que são uns folgados!”.

Deve ter sido por isso que o velho Noquinha viveu até os 90 anos e carregou pro túmulo uma fortuna que todos acreditávamos que ele escondia – o que explica a luta dos parentes pelo detonado colchão como herança. Se havia mesmo uma fortuna escondida, esse é um dos maiores mistérios de minha infância!

Mas como vocês notaram, o seu Noquinha não era muito chegado em tecnologias mais modernas. Eu me lembro que ele dizia “essas coisas modernas servem pra gastar dinheiro duas vezes: pra comprar e pra consertar!” E olha que isso foi num tempo em que os produtos eram feitos para durar. Minha mãe usou a mesma geladeira durante 25 anos e até hoje funciona, é um fenômeno!

Se o velho Noquinha conhecesse o computador, aí ele teria todos os motivos possíveis para desancar esta tecnologia. O computador é o tipo de máquina que guarda estranhos segredos dos quais ninguém consegue desvendar, ainda mais se o sistema operacional for o Ruindows, que nem o Bill Gates consegue entender direito como funciona.

Ficar uma semana inteira sem computador é terrível. Quase tudo depende deste monte de placas, chips e cabos: trabalhos, dados, textos, comunicação, jogos, vídeos, música, notícias. A falta deste monstrengo que gosta de criar problemas estranhos para desafiar os experts em informática causa uma indisfarçável angústia, principalmente quando o técnico lá da assistência diz:

- É, não tem jeito, vou ter que formatar o HD.
- Não dá para salvar nada? Por favor, diga que dá!
- Infelizmente, não. Você teve sorte de não perder o HD, é só formatar.
- Ouça, não dá pra salvar pelo menos a minha tese de mestrado? Por favor?

Mas não tem jeito. E lá se vai a sua tese de mestrado sobre o “processo civilizatório de Liliput sob uma abordagem Malthusiana”, que você levou 2 anos para escrever. Mas isso não é o pior: você não fez backup de nada e perdeu até as fotos da Dorotéia, aquela gata que você conversa todos os dias pelo MSN. E pode ficar ainda muito pior se a Dorotéia “cair na net” graças a você! Ela ficará muito grata pela fama.

Computador é PHoda mesmo. Por mais que você trate bem desta máquina, desfragmente e faça limpeza do disco, atualize antivírus e todos os cuidados básicos, ele sempre surge com alguma coisinha para te deixar em pânico. Portanto, meu caro usuário (ops), assuma que é praticamente um refém diante desta máquina e faça backup de tudo aquilo que você julga importante e essencial aí na pasta “Meus Documentos”. Eu fiz e pude deixar meu computador tranquilamente na assistência técnica, até porque não tem fotos de nenhuma Dorotéia e tampouco filmes das Brasileirinhas; mas confesso que tenho fotos da Cacinilda, uma amiga que é uma beleza, tá com tudo em cima ( os peito em cima da barriga, a barriga em cima das coxa e assim por diante). Além do mais OC FAIL, PLEASE ENTER SETUP TO CHANGE OC FAIL SETTINGS. FOI DETECTADO UM TEXTO CHATO SENDO ESCRITO E O WINDOWS FOI DESLIGADO PARA EVITAR A CONTINUAÇÃO DESTAS BOBAGENS. STOP:0x0000007b (0xf894c528, 0xc0000034, 0x00000000, 0x00000000)

*PHoda é marca registrada de Renan Barreto Online, RBD, digo, RBO e não pedi autorização para utilizá-la, mas acredito que não receberei uma intimação da Barretech Attorney & family por isso.

Quarta-feira, Outubro 14, 2009

Dia do Professor: e daí?

(a charge acima foi feita pelo autor do blog, na escola. Tosca, sem colorização, feita em 3 minutos entre um intervalo de aula e outro. Se tiver coragem e quiser ver melhor, clique nela)

15 de Outubro é oficialmente considerado como “Dia do Professor”, o que eu discordo totalmente, pois o “Dia do Professor” deveria ser mesmo em 12 de Outubro, porque só Deus ou Nossa Senhora Aparecida para derramar bênçãos e graças sobre a “catiguria”.

Que me perdoem os idealistas, otimistas e ocasionalmente “Pollyannas”, mas tornar-se professor hoje, no Brasil, é realmente para aqueles que possuem muita fé. Quem acompanha este humilde e tosco blog já se deparou com alguns textos relacionados à escola, professores e educação em geral. E para quem acha que estes textos são escritos por alguém leigo ou por um “especialista em educação que, restrito ao ambiente acadêmico, desconhece a realidade da escola, principalmente da rede pública”, está enganado: quem assina essas mal digitadas é um sujeito que há tempos também foi idealista, otimista e ocasionalmente Pollyanna.

Não vou cansar os eventuais leitores deste Grooeland carente de atualizações ( obrigado, computador, por ter pifado de vez só depois do feriadão!) com os velhos problemas que atingem o magistério e dos quais todos já sabem: baixos salários e excessiva carga de trabalho para professores, violência, péssima infra-estrutura, etc e etc. Aliás, tem vários artigos aqui neste blog sobre educação, é só procurar.

Há quem pense que tudo isso é lamúria, é chororô, é coisa de “professor ligado à sindicato de esquerda”, “desculpinha pra trabalhar menos” e outras bobagens ditas por aí, mas a coisa é tão séria que já faltam professores de algumas disciplinas nas escolas - e não pense que é só no Brasil: segundo a ONU, o mundo precisaria de cerca de 18 milhões de professores para que houvesse, de fato, o “educação para todos”.

O número impressiona e o que um professor passa durante sua jornada de trabalho também. No começo da profissão todos são idealistas e tem grandes e ambiciosos sonhos. Depois de alguns anos de trabalho, muitos desanimam e é muito comum encontrarmos profissionais doentes nas escolas. Há professores que mesmo diante de tantas dificuldades e entraves conseguem manter uma motivação e executam projetos muito bons nas escolas, mas graças a um esforço pessoal muito grande e contando apenas com a parceria dos alunos. Não esperem muita coisa de certos setores da sociedade e principalmente dos governos.

Do governo, aliás, esperem muita propaganda e muito markretino, digo, marketing. E muita, mas muita demagogia mesmo em torno dos novos salvadores da pátria da educação: o computador e a escola em período integral. E sem contar as lindas frases para ornamentar peças publicitárias, como “professor, você é importante”, “professor, você é fundamental para o crescimento do país” e tantas outras emocionantes e sinceras demonstrações de respeito e carinho.

No dia 15 de Outubro veremos uma enxurrada de homenagens à figura do professor. Não vou finalizar o texto com o chavão de que o professor (em todas as profissões há bons e maus profissionais, evidente) quer mesmo é respeito e valorização. Prefiro encerrar com um pedido de desculpas pelo desabafo que foi este péssimo texto e agradecendo aos que tiveram a paciência de chegar até aqui.

E dizer que sim, queremos grana, queremos comprar livros, ir a cinemas, teatros, bom vestuário, cuidar da saúde, frequentar uma academia ou dispor de tempo para atividades físicas, ter uma casa própria, tempo para a família. Sejamos justos: o sacerdócio é para os sacerdotes!

Terça-feira, Outubro 06, 2009

Re: Os normais 2 e a preguiça do baiano


(politicamente corretos de plantão: a charge é minha e não boicotem o blog por isso)


De: XXXXX
Para: Jaime Guimarães
Assunto: Os Normais 2 – preconceito!!!

AOS MEUS AMIGOS

ESTOU REPASSANDO MENSAGEM SOBRE ESSA PROPAGANDA NEGATIVA QUE VEM PREJUDICANDO OS BAIANOS!!! FUI ASSISTIR AO FILME "OS NORMAIS-UMA NOITE INESQUECÍVEL", E TIVE O DESPRAZER DE ME DEPARAR COM UM FILME DE BAIXÍSSIMO NÍVEL, ALÉM DE UMA PIADA DE MUITO MAL GOSTO SOBRE BAIANO: "VC SABE O RESULTADO DA MISTURA DE UM BICHO PREGUIÇA COM UM SER HUMANO? UM BAIANO DE SUÉTER!" EM SEGUIDA APARECE UM BICHO PREGUIÇA VESTIDO!

POR ESTES MOTIVOS É QUE PEÇO A TODOS OS BAIANOS QUE NÃO GASTEM SEU TEMPO E DINHEIRO COM UM LIXO DE FILME ACULTURADO E PRECONCEITUOSO. BOICOTEM!! POR FAVOR, REPASSEM!!!

De: Jaime Guimarães
Para: XXXXX
Assunto: Re: Os Normais 2 – preconceito!!!

Meu caro XXXX: você sabe o quanto aprecio receber seus e-mails sempre muito bem humorados, principalmente aqueles que trazem coletâneas de piadas sobre portugueses, bichas e corintianos. Continue enviando-os, são bastante divertidos!

Ora, todos nós sabemos que o baiano não é preguiçoso. O que dizer dos espanhóis, então, com a hora da siesta? Na verdade essa história toda de preguiça não é só com os baianos: é também com o brasileiro em geral, diversas vezes rotulado como “preguiçoso e indolente” ( isso é histórico, mas não vou discutir isso por aqui, não é?); no entanto estamos no ranking entre os povos que mais trabalham no mundo, mesmo com todos esses feriados e carnavais fora de época por aqui.

Portanto, relaxe, meu rei! Vai ficar ofendido por conta de uma piadinha boba num filme que eu nem assisti (nem pretendo porque não sou chegado a cinema) e que se propõe a ser um besteirol? Oxe, menos, meu velho, menos! Além do mais, você sabe que esse mito da “Bahia preguiçosa, que faz festas todos os dias” vem sendo perpetuado por conta de gente aqui “da terra”. Lembre-se do Dorival Caymmi, do Caetano, da própria indústria cultural e turística aqui mesmo da Bahia, que vende essa imagem do baiano festeiro "com outro ritmo de trabalho" para o país todo e para o resto do mundo.

Ao invés de repassar essas revoltinhas bobas do tipo boicote a um filme de besteirol, você poderia soltar por e-mail a excelente tese da antropóloga Elisete Zanlorenzi que desmistifica toda essa história do baiano preguiçoso. Faça isso, mesmo sabendo que a maior parte dos que estão na sua lista de contatos gosta mesmo de receber mensagenzinhas de powerpoint com textinhos de auto-ajuda (com música melosa, claro!) e garotas posando nuas com closes ginecológicos.

E a Bahia e os baianos têm coisas mais sérias com o que se preocupar, não acha? A capital tem um prefeito que admitiu ter desviado dinheiro da merenda e da saúde pro carnaval; a capital vai receber uma Copa do Mundo e não tem nem metrô e a infra-estrutura da cidade é péssima; os casos de dengue no estado já passam de 100 mil; a Bahia possui quase 2 milhões de analfabetos e etc, etc e etc!

Repasse isso, meu rei!

Atenciosamente,


Jaime Guimarães

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Quinta-feira, Outubro 01, 2009

Homenagem a uma nobre e relevante "catiguria"!

(sim, esta charge tosca e de péssimo gosto é de minha autoria. Para vê-la melhor, dê um clique)

Confesso aos meus 4 ou 5 leitores de que ultimamente ando sem muita inspiração para escrever as bobagens que vocês já se acostumaram a ler neste humilde espaço. E olha que há muita coisa acontecendo por aí: a crise de Honduras, o nENEM parindo antes do tempo e “caindo na net”, os últimos dias do IPI reduzido para todo mundo comprar carro e contribuir para o progresso, tsunami e terremoto no Pacífico Sul e Indonésia respectivamente, os jogos olímpicos no Rio em 2016, o SantosFC que não ganha de mais ninguém, etc e etc.

Eu até ensaiei umas linhas aqui e ali sobre estes e outros temas, mas não saiu nada que fosse muito interessante. Aliás, muito pouco do que sai aqui neste blog é interessante, e até me surpreende que eu tenha tantos seguidores e comentaristas e além disso...

Desculpem, eu estou enrolando pra ter assunto e achei um, embora tenha aparecido meio sem querer. Regra número 1 se você não tem ideia do que escrever e não sabe nem como e por onde começar: faça uma homenagem a uma pessoa, um personagem, uma data, um motivo qualquer.

É uma boa ideia! E justamente esta data de hoje, 01/10, não poderia passar em branco, pois homenagearei uma nobre categoria que é fundamental para a nossa sociedade, que é comprometida com o povo e está sempre disponível para atender as demandas da população: Hoje é o dia do vereador!

O vereador tem diversas funções em âmbito legislativo. Dentre outras funções como dar nomes a ruas e praças, ele pode ajudar a fiscalizar as contas públicas ( a parte preferida de 10 entre 10 nobres vereadores), licitar obras e outras benfeitorias para o município ( principalmente se for sócio de empreiteira, casa de material de construção, etc); Para este árduo trabalho, ele recebe um salário muito interessante – em Salvador, até o ano passado, um vereador ganhava R$ 7100 mensais. Não é uma boa?

Mas os nossos vereadores merecem. Além do salário "coisa à toa", eles possuem verbas indenizatórias, verbas de gabinete, auxílio combustível e mais um algumas pequenas vantagens. Aqui na capital dos Estados Unidos de Todos os Magalhães um único vereador custava (em 2008) cerca de R$ 39 mil mensais para os cofres públicos. Enquanto isso, um professor da rede municipal custa em torno de R$ 700 mensais para os cofres públicos. Eu acho uma proporção justa. Vereadores tem mais relevância do que esses professores que reclamam de tudo.

Como forma de antecipar as comemorações do dia do Vereador, o Congresso Nacional - sempre ele! - criou a emenda que possibilita a criação de mais de 7 mil cargos de vereador no país! E ainda tem gente que reclama! Vejam como o nosso Congresso, representado pelas figuras probas de Sarney e Temer ( quem Temer, tem medo!) se preocupa conosco!

Sem dúvida, uma bonita homenagem aos nossos vereadores e, com este humilde textinho em um blog que quase ninguém visita, deixo também minha singela saudação a tão importante e relevante categoria deste país! Parabéns, senhores vereadores! ( e eleitores também)

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Fotolog: http://www.fotolog.com/jaimeguimaraes
Revista Sunshine edição primavera (eu contribuí com texto e charge) - download aqui.

Domingo, Setembro 27, 2009

Tá falido? Não sabe fazer nada? Filie-se a um partido político!

(é isso aí, parceiro: a charge é do autor do blog. Quer ver melhor? Clique nela)

É, meu caro...você foi “o cara” até pouco tempo atrás. Você foi considerado o ator mais talentoso do país e chegou a fazer até umas pontas em Hollywood. Aproveitando a fama, aventurou-se na música ( seu CD não saía das paradas de sucesso), escreveu um livro ( com o título “Confissões”, permanecendo na lista dos mais vendidos durante meses), ganhou muito dinheiro fazendo propaganda até de papel higiênico e, claro, traçava todas que apareciam pela frente, desde as modelos e deusas da TV e até as mamães das filhas que faziam festinha de 15 anos (que tempo bom, hein? Um baita cachê só pra aparecer, dançar com a aniversariante e tchau!).

Mas você envelheceu...bom, nem tanto assim na verdade, mas seu livro é vendido em baciada das Americanas por R$4,99, ninguém dá notícias de seu CD e os convites para fazer uma novela não aparecem. Você teve que vender sua linda mansão à beira mar porque não aguentava mais pagar o condomínio e seus possantes veículos foram a leilão para saldar dívidas. E as mulheres? Ah, que ingratas, só lembram de você para cobrar a pensão alimentícia de um monte de filhos!

Você não estudou, não investiu em um negócio, os “amigos” sumiram, em resumo, você não sabe fazer nada e está falido da Silva. E agora?

Não se desespere, pois há uma saída (ou entrada, como preferir): torne-se político!

É isso mesmo. Siga o exemplo do Romário e do Popó: filie-se a um partido político e tente uma vaga na Câmara dos Vereadores, na Assembléia Legislativa, no Senado, enfim, sonhe alto! Lembre-se do Ronald Reagan e do Arnold Schwarzenegger! Ou do Clodovil e do Túlio Maravilha!

É o melhor “emprego” do mundo, ideal para falidos que não souberam aplicar a dinheirama que ganharam enquanto a fama e o sucesso batiam à porta até mesmo quando não queriam. Entrar para a política, no Brasil, significa “tirar o pé da lama”, levantar um troco, descolar umas vantagens aqui e ali. Sem falar na imunidade parlamentar, é claro.

Não, não estou duvidando das nobres intenções do Popó e do Romário na política. Sei que lutarão (principalmente o Acelino!) não apenas pela criação de uma séria política de esportes no país, mas também defenderão o equilíbrio nas finanças públicas e o planejamento familiar. Afinal, é de gente assim que a política brasileira precisa, parceiro!

Portanto, amigos e amigas, larguem essas bobagens como estudo, qualificação e leitura. Filiem-se no diretório do partido político mais perto de suas residências ( tanto faz de “esquerda”, “direita”, “centro”, é tudo igual), coloquem seus carismas em ação de preferência acompanhados de um bom jingle e sejam felizes nas próximas eleições, livres de problemas por 4 anos! Tempo suficiente pra fazer um bom pé de meia. E, se falir novamente, é pra isso que existe a reeleição!

Revista Sunshine edição primavera (eu contribuí com texto e charge) - download aqui.

Quarta-feira, Setembro 23, 2009

Revista Sunshine nº 03 - É primavera! E eu estou por lá!

Meus queridos 4 ou 5 leitores que me prestigiam aqui de vez em quando ( obrigado, pessoal!) devem sentir a falta de atualizações mais freqüentes. Não se preocupem, já tem um texto prontinho para a próxima atualização, para azar da blogosfera e dos que arriscam a passar por aqui e ler estas mal digitadas.

“Ah, hoje não tem texto e nem charge?” Tem, sim senhor. E em grande estilo: estou na REVISTA SUNSHINE – Edição Primavera.

É um trabalho primoroso do grande Rubens Medeyros ( guardem este nome com muito carinho: vocês ouvirão falar muito deste grande talento!) que dá um verdadeiro show na diagramação, design e ilustração desta revista virtual, enriquecendo mais ainda as brilhantes contribuições dos colabores. Tem para todos os gostos: poesia, contos, crônicas, mitologia, ensaios fotográficos...

Apenas para citar um exemplo do naipe dos colaboradores e do que vocês vão encontrar lá, tem a extraordinária Nat Valarini com um ensaio fotográfico maravilhoso e um texto com o já reconhecido talento de nossa Garota Pendurada.

E tem eu, ora, cafezinho pequeno, com um texto e charge sobre “tatuagens”. Deem uma lida por lá. Aliás, gostaria de agradecer publicamente ao Rubens pela oportunidade. Gracias, Rubens!

Bom, chega de enrolar e faça logo o download da revista, clicando AQUI ou no link direto AQUI.

Prestigiem, vale muito a pena! Recomendo entusiasticamente!

Quarta-feira, Setembro 16, 2009

"Punheteiros do asfalto"

(sem estresse: clique na charge para visualizar melhor. E relaxe...)

De que forma você extravasa sua irritação no trânsito? Você xinga todo mundo, cola no carro da frente, irrita os outros com gestos obscenos, grita sozinho, disputa acirradamente com outro motorista um espaço na rua de 5 cm?

Tome cuidado, meu prezado leitor. Você pode ser um “punheteiro do asfalto”.

A definição não é minha. Partiu de uma vistosa (e como...digo, e como é vistosa!)garota que, ao relatar como procura suportar um trânsito cada vez mais carregado, saiu-se com esta. E justifica com a seguinte tese: “Esses homens todos sofrem de impotência. Olha só: no trânsito são todos apressadinhos, ignorantes e mal educados. Imagine nas preliminares e na hora de transar. Bando de punheteiros, é o que eles são, punheteiros do asfalto!”

Achou esta tese absurda? Até que não. Ela está certa: quando falamos em trânsito, lembramos do que? Tá, dos flanelinhas sacanas que cobram fortunas para deixarem seu carro intacto, meu patrão; mas lembramos principalmente de estresse ( or stress, if you speak english). E, caso você não saiba, o estresse não causa apenas nervosismo, dores de cabeça, alteração na pressão arterial, insônia e mais um monte de outras coisas; o estresse causa também impotência sexual.

Não é fácil manter a mente quieta e a espinha ereta diante de um trânsito caótico. Afinal, enquanto você dirige, o seu ilustre cérebro tem que processar cerca de 1300 informações visuais por minuto – e isso em um trânsito ameno; agora imagine isso Em uma cidade como São Paulo, que possui uma frota de 6 milhões de veículos e nos horários de pico ( eu falei pico) chega a ter em média 4 milhões de carros nas ruas.

É mole? Não, neste caso é duro, mesmo. Trânsito é Phoda. E não pensem, mocinhas, que estão livres dos males do estresse. Neste caso, no trânsito, o conselho é: fique fria, para esquentar os motores mais tarde, e não o contrário...se é que me entendem.

Portanto, ao invés de extravasar como os “punheteiros do asfalto” fazem, prefira ouvir uma música (nem que seja Ministry ou AC/DC), ache graça da cara que os manés fazem ao xingar os outros, enfim, procure não se enervar tanto. Ou então escolha: broxar ou engrossar...as estatísticas de 34 mil mortos ao ano no trânsito brasileiro.

Evite que o carro te deixe na mão, em vários sentidos.

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Domingo, Setembro 13, 2009

Salve Salvador!

(clique na charge para vê-la melhor e não se preocupe: não são seus olhos, é ruim assim mesmo)

The city’s a blaze, the town’s on fire
The woman’s flames are reaching higher
We were fools, we called her liar
All I hear is “Burn”!


Quem acompanhou os noticiários nos últimos dias viu que a coisa em Salvador tá pegando fogo: ônibus queimados e módulos policiais metralhados por ação de bandidos em suposta represália à transferência de um traficante para presídio de segurança máxima em Catanduva, Paraná.

As pessoas que moram em outros estados ficam impressionadas com tanta violência e se questionam o que está acontecendo “nesta terra tão maravilhosa e tão tranquila”.

Salvador é uma cidade que tem belezas e histórias fantásticas, mas é uma capital com quase 3 milhões de habitantes e boa parte desta população é pobre, sem acesso a serviços essenciais de qualidade como educação e saúde, por exemplo. Mas permanece o marketing construído há muitos anos e mantido até hoje como um verdadeiro mantra: “Salvador, terra da alegria, da felicidade”. Axé! Sai do chão, vai rolar a festa!

E é neste mito que muita gente por aqui ainda se apega. A violência na cidade é crescente, mas isso não aconteceu da noite pro dia. É o resultado da falta de planejamento, de infra-estrutura, de investimento em educação, esportes, cultura, lazer. É um terreno fértil para a criminalidade e as drogas tomarem conta do pedaço. Tais ações necessárias para a melhoria de vida da população foram desprezadas por governantes passados e atuais, privilegiando apenas o marketing da cidade “movida a festas o ano todo”, na promoção “do maior carnaval do planeta” e da “cidade mais linda do mundo”. Bom para o turismo, então pensemos pelo lado positivo: são apenas ônibus e módulos policiais. Os trios elétricos foram poupados.

“Seu amargo, seu infeliz! Isso é coisa de gente invejosa, chata e hipócrita!” Calma, calma...e quem não gosta de festa, praia e um clima ensolarado e alegre? Eu gosto, mas também gostaria de uma cidade com infra-estrutura melhor – não apenas para o turista; e gostaria também que boa parte da população que gosta de se iludir com a imagem de uma Salvador de 50 anos atrás finalmente “caia na real” para o presente, deixando de lado a filosofia passiva do “fique na sua. (que chega ao ponto do prefeito admitir ter desviado verba da merenda e saúde para o carnaval e não haver reação nenhuma)

Enquanto a cidade vive no marketing da “minha cidade é linda demais” e “a cidade de luz e prazer correndo atrás do trio”, a fumaça da violência chega até o exterior e a bandidagem dá um suadouro nos soteropolitanos. Eu, particularmente, prefiro o calor do sol numa bela praia tomando uma água de coco e observando o que a baiana tem. Ah, e sem churrasquinho.

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